Versão digital do livro "Dias e noites de Um Pai Solteiro"
MARCOS FRANÇA
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DIAS E NOITES DE UM PAI SOLTEIRO
Junho de 2005... Eu morava numa casa de aluguel na rua Terezina, 1.111 no bairro Parque Industrial, em São José dos Campos, interior de SãoPaulo. Nessa época eu estava terminando uma pintura mural artística em um petshop no mesmo bairro, a Pet´s Passo e Agro Curió. Como sempre a minha arte realista e gigante chamava bastante a atenção. Desenhei e pintei cães e gatos com mais de 5 metros de altura nas paredes externas do sobrado da loja. Como é minha marca registrada, deixei várias mensagens ocultas dentro das pinturas, frases, declarações de amor, e até mesmo o semblante dos proprietários daqueles animais retratados dentro dos olhos de cada animal de estimação!
Não foi fácil, eu precisava estar constantemente amarrado e pela altura e risco iminente de queda, meus movimentos e nível de percepção ficavam aquém de todo o potencial que normalmente poderia empreender.
Minha namorada, Monique, começou a morar comigo e éramos um casal de artistas que trabalhavam juntos já há alguns anos. Às vezes ela me ajudava, na verdade na maior parte do tempo ele ma ajudava em meios às suas escapadas...
Devido justamente a essas "escapadas", às suas escolhas e opções de vida, eu não podia continuar com o relacionamento e apesar de gostar de sua atitude pró-ativa, disposição e desprendimento, não podia concordar com seu constante desrespeito por nosso relasionamento afetivo e profissional. Era muito dificil controlar o meu emocional no trabalho, no trato com os clientes e com o rendimento do serviço que sempre acabava atrasando...
Ás vezes fico analisando o comportamento de um início de relacionamento e calculo os prós e os contras, os erros e acertos que no final das contas é o que sempre é, uma soma de comportamentos e reações emocionais ligadas diretamente aos próprios sonhos e anseios, tanto de um como de outro...
Logo no começo do meu relacionamento com Monique em meados de 2002, eu perdera a confiança com seu primeiro deslize rompendo a relação logo nos primeiros meses. Mas quando é tudo novo numa fase incial, reconsideramos muita coisa e acabamos cegos pela paixão. É aí que erramos...
O termo "paixão" é muito usado em ôbras românticas como um sentimento de amor incondicional. Na realidade qualquer paixão, no sentido literal, é nocivo e prejudicial, desequilibra, cega e impede que vejamos os riscos, consequencias, resultados... A paixão prende, enquanto o amor liberta, a paixão segura, enquanto o amor solta, a paixão mata, enquanto o amor vivifica!!! Não podemos confundir paixão com amor, são sentimentos completamente diferentes. A não ser quando o termo é usado como metáfora: "tenho paixão pelo meu trabalho, pelo que faço...", neste contexto estamos nos referindo com que dedicação nos empenhamos por um determinado objetivo.
Depois de uma sequência conturbada de romprimentos envoltos em muitos desgostos, concordamos em pelo menos continuar a trabalhar juntos. O problema é que continuávamos a morar juntos também. Eu nutria um sentimento de proteção para com ela devido aos relatos de indiferença familiar que me contava. Uma falta de incentivos maiores dentro de sua família, conforme seus relatos, que constantemente me condoía ao ouvir suas lamentações entre lágrimas e soluços.
Apesar de saber na época quando ela decidiu se emancipar em meados de 2003, que estava fazendo tudo isso para fugir da situação familiar desfavorável e alçar voos mais altos, também eu percebia que ela tinha um espírito empreendedor, pró-ativo, e me identifiquei com essa personalidade e maneira de ser, de agir.
Outro problema foi eu ser conivente com várias situações errôneas justamente pelo mesmo motivo emocional, passional e protetor. Mas é bem verdade que sou obrigado a admitir que a maioria de nós homens sempre fomos "enfeitiçados" pelas mulheres que de certa forma nos dão atenção e carinho. Algumas vezes até nos deixamos e nos permitimos ser levados, mas meu amigo, minha amiga, isso precisa ser muito bem dosado, porque acarreta tantos dissabores no médio e no longo prazo que só o tempo pode revelar...
E já que há tantos relatos sobre isso, por favor, me permita dizer: meça seus atos no início de uma realção, a transparência de ambos os lados seja o farol que guia os dois. É muito bom viver uma situação de flerte, de paquera e de namoro, mas conceder conceções e pedir conceções devem ser uma constante, concordar com tudo é dar a chave do seu coração à outra pessoa e quando isso acontece, você perde o controle do seu estado emocioanl e a sua felicidade passa depender de outra pessoa. Isso é anormal, não é viver, aliás, está a baixo da linha da sobevivência, por que impede sua reação, impede o raciocínio e destrói o amor próprio que é a base para se viver com dignidade.
Graças a Deus eu sempre apliquei em mim mesmo as estratégias e técnicas de comportamento que vivo ensinando às pessoas, mas mesmo assim, quando resolvi provar dos sentimentos avassaladores de uma paixão, me perdi nos caminhos escuros de noites insterminadas à procura de respostas que só poderiam ser encontradas dentro de mim meesmo...
É incrível como nós mesmos mudamos o nosso jeito de ser quando acostumamos com a outra pessoa e vive-versa.
Me lembro do nosso começo. Havia muita cumplicidade de pensamentos, objetivos, metas e sonhos, tanto pessoais como profissionais (está se identificando neste momento? rsrsrs). Foi muito poético, romântico, intenso. Em meados de 2001 eu recebia um prêmio da Embraer pela Coleção de Pinturas em óleo sobre tela que deu origem ao Projeto Xingu-Brasil que excurcionou Sao Paulo e a região do Vale do Paraíba, no eixo Rio-São Paulo com minha exposição de arte exótica e exuberante entre cores e formas espetaculares de um povo indígena único no mundo todo!!! Foi numa dessas exposições em um shopping de São José dos Campos que uma moça baixinha me trouxe um quadro de sua autoria em óleo. Fiquei admirado pelo conjuntura da obra, tinha estudado com um artista plástico de renome da região e tinha muito vigor em sua expressão e linguagem artística.
Ela começou então a se disponibilizar e me ajudar nas outras exposições que se seguiam, uma após a outra. Numa noite após uma exposição, levei em meu carro Monique, que nos guiava pela cidade e Robson, um decorador escelente que trabalhava na mesma exposição de arte com outra expositora. Fomos a um barzinho de karaoke e cantei duas músicas, pois sempre adorei tocar e cantar. Depois disso meu realcionamento até então com minha atual namorada Danielle, terminou. (Do que me arrependo amargamanete. Que fique registrado neste livro para sempre...). Acabei me envolvendo com Monique, e agi como sempre fiz, como manda o figurino e respeitando os valores com que fui criado, conversei com seus pais para pedir a pemissão e a benção para namorar sua filha.
Rapidamente montei um ateliê próximo à sua casa onde ministrava cursos de desenho e pintura, precisamente na Av. Cassiopéia, no Jd. Satélite. Foi nessa época que a primeira traição aconteceu, e a perda da confiança também. Rompi a relação mas a separação não durou muito, reatamos e seguimos em frente. Eu compreendia que ela estava buscando fora de casa o que não conseguia dentro da família, mas ao mesmo tempo, já envolvido emocionalmente eu buscava orientá-la para um melhor relacionamento com os pais e a irmã. E o que eu tentava fazer por ela era mostrar de forma construtiva sua ausência de gratidão traduzida na falta de compromisso sentimental recíproco ao meu... Devido ao seu temperamento explosivo e inconssequente, ela não permitia diálogos sobre seus erros e nessa situação apontar os erros do outro se torna a pincial arma de defesa e de ataque...
Porque essas situações ocorrem? Dentre muitos fatores, no meu caso foi que Monique sempre estava ligada ao seu antigo namorado da adolescência e seus objetivos estavam em conflito interno o tempo todo, a razão e a emoção em constante combate. Nesste cenário a razão perde longe... Quando isso ocorre ambos precisam ser sinceros um com o outro. A parte ferida precisa expor seus pensamentos e a outra, precisa ser sincera com palavras e atitudes coerentes. Promessas e verdades não são fatos, os fatos devem ser expostos o tempo todo.
Logo montei um escritório em outro edifício na Av. Andrômeda, mais sofisticado, melhor localizado, mas também não foi suficiente para manter minha relação com Monique de forma mais construtiva e cada vez mais ela se afastava de mim, dos nossos serviços e objetivos profissionais...
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